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25 junio 2010

COMENTARIOS DE MARCO VAZQUES


FITA - FESTIVAL INTERNACIONAL DE TEATRO DE ANIMAÇÃO


terça-feira, 22 de junho de 2010
Construtores de mínimas imensidões


Do Chile, a companhia OANI, criada em 1998, com o objetivo de trabalhar com atores, bonecos e explorar distintas linguagens cênicas apresentou três pequenas narrativas-poemas via Teatro LAMBE-LAMBE. O Teatro de LAMBE-LAMBE também é conhecido como Teatro de Miniaturas. E não podemos esquecer das bonequeiras Ismine Lima e Denise di Santos que criaram o gênero Lambe-Lambe aqui no Brasil em 1989. O gênero é, seguramente, uma derivação dos fotógrafos lambe-lambe. As narrativas-poemas apresentadas pela companhia OANI, dirigidas pelo catarinense Luciano Bugmann, foram Amores de Puerto, Dia de Volantín e El perro Babarito. Os dois últimos espetáculos nos tocaram em especial. Dia de Volantín (dia de imaginar, voar) já que a tradução da palavra volantín, em português, é pipa. O espetáculo apresenta uma moça imersa no mundo da imagem repetida pela televisão. Após passar por inúmeros canais ela resolve abrir a janela da sala. Ao virar seu olhar para outra direção a moça viaja por imagens poéticas insuspeitadas, e, a nós, reféns da beleza, só resta viver o mundo feérico imaginado pela encastelada menina. A técnica usada para este espetáculo-miniatura foi a de sombras. Um espetáculo de 4 minutos capaz de ficar uma eternidade na pele. Já El perro Babarito apresenta uma cena cotidiana de uma senhora que limpa as sujeiras de seu cão. Irritada, ela dá ao cão uma poção para acalmar o bichinho. Após beber o líquido o cachorro também dorme e navega (literalmente) entre a fantasia e o pesadelo. A técnica utilizada na execução deste espetáculo é a de luz negra. A companhia OANI é construtora de mínimas imensidões algo incomum no mundo megalomaníaco em que nos encontramos. O grupo domina várias técnicas do LAMBE-LAMBE. E Matsuó Bashô revive: “Nesta noite/ninguém pode deitar-se:/ lua cheia.”


quinta-feira, 24 de junho de 2010
Espetáculo Naviazgo en el Cemiterio

Por Marco Vasques
MAIS MÍNIMAS IMENSIDÕES NO FITAFLORIPA


O teatro tem dessas coisas: você abre duas portinhas. Coloca seu olhar dentro de uma caixa de Lambe-Lambe e nunca mais é o mesmo. O teatro é um rio, diria Heráclito. São inúmeras as surpresas que se pode ter em poucos minutos. São inúmeros os signos e as metáforas que carregam uma aparente pequena história de amor não concretizado. O espetáculo Noviazgo en el Cemiterio comprova minha fala acerca da companhia OANI: estamos diante de artistas construtores de mínimas imensidões. Impressiona o poder que o grupo chileno tem de fazer coisas tão diversas, tão simples e tão belas. Baseado na balada romântica do poeta português António Augusto Soares de Passos (1826-1860) o espetáculo tem uma narrativa bastante simples: o encontro de um homem com a amada num cemitério. Ambos estão mortos e saem de suas sepulturas para a consumação do afeto/amor. Após o ato de ternura eles se unem num só jazigo. Os esqueletos têm uma espécie de amor póstumo bem característico da escola romântica, onde um mundo paralelo resolve as impossibilidades terrenas. É o escapismo! Dizem os doutos. Luciano Bugmann levou um ano para montar o espetáculo, isto é, montar a caixa, o cenário, o figurino, os personagens, a luz, o som e a direção. Doze meses para harmonizar tudo em cinco minutos! Equilibrar o gótico, o tétrico até alcançar o lirismo, uma ternura que nos leva ao universo ultra-romântico criado pelo poeta. Escandir cada objeto, cada mínimo. O resultado? Lembro do Julio Cortázar tentando definir o que é um conto. Ele diz que um conto é perfeito quando alcançar a exatidão de uma esfera. Porque a esfera é uma sucessão de esferas, um intenso devir indevassável. Noviazgo en el Cemiterio devassa nossa ossatura; é esfera, mas acima de tudo pérola-poro. Quando, um dia, me restar uns poucos minutos: quererei guardar meus olhos dentro de uma caixa [Lambe-Lambe] cheia de poesia.

http://poetasnosingular.blogspot.com/

2 comentarios:

Ismine Lima dijo...

O teatro lambe-lambe (Salvador\Ba participou do premio cultura viva
3.edição, fomos contemplados com o
primeiro lugar na categoria informal,em decorrencia todos os teatros lambe-lambe são detentores do selo cultura viva do Ministério da Cultura (Minc). Assim começamos a existir institucionalmente, é o premio de reconhecimento cultural mais expressivo da cultura popular.
Com o premio temos um compromisso de junto com os teatro, lambe-lambes criar as bases para um calendario de circulação de caixas, criando o nosso proprio palanque, ou seja, amostras. festivais, convenções etc. Ismine

OANI Teatro - Chile dijo...

Parabens!! estamos no Chile divulgando cada vez mais o Lambe-Lambe...todo seja por que cada vez sejamos mais pessoas dedicadas a entregar este presente as pessoas. Estamos a disposiçao. Camila.